No sábado, logo após a vitória por 3 a 0 sobre o União Frederiquense, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr., negou que houvesse uma proposta oficial do futebol chinês pelo centroavante Barcos.

Tratando apenas como uma "sondagem empresarial", o cartola disse que nada impediria que o clube analisasse uma oferta, desde que ela viesse. No domingo, porém, as palavras ganharam outra figura.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o diretor de futebol Rui Costa admitiu que o Changchui Yatai fez uma proposta para ter o argentino. No entanto, antes de aceitá-la, o Grêmio e o jogador deverão ter extremo cuidado para avaliar todas as questões que envolvem o negócio.

 

"Ela precisa ser analisada com todo o cuidado, pois tem atender a uma série de conveniências. Por toda a importância que o Barcos dá ao Grêmio como pelo que o Grêmio dá a ele, é uma parceria muito consolidada. A negociação precisa atender todas as partes, pois envolve uma série de coisas", resumiu Costa.

O Grêmio é dono de 85% do passe de Barcos. Confirmados os valores apresentados, o clube receberia R$ 8 milhões pela negociação. O Palmeiras, dono de outros 15%, ganharia cerca de R$ 1,4 milhão. Para a negociação ser concretizada, o jogador terá de abrir mão de R$ 2,5 milhões que o clube tricolor deve a ele, relativos a direitos de imagem. Na China, ele receberia o dobro em relação ao que ganha em Porto Alegre. A identificação com a torcida gremista, porém, pesa. Em dois anos, foram 113 jogos e 45 gols.

 

A saída ou não do argentino, mesmo que a proposta chinesa seja eventualmente negada, deve ser definida nos próximos meses. Isto porque o contrato de Barcos com o Grêmio se encerra em fevereiro de 2016. Caso o argentino saia, Marcelo Moreno deve ser procurado para renovar contrato - tem vínculo até dezembro.

 

Fonte: ESPN

O Atlético-MG estreou com vitória no Campeonato Mineiro, mas segundo o técnico Levir Culpi, o triunfo não significa que o time não precisa melhorar.

 

O treinador avaliou a exibição alvinegra como satisfatória, porém, ressaltou que é necessário evoluir para ter condições de brigar pelo título da competição.

"Foi mais ou menos dentro do que esperávamos. Alguns ótimos momentos e, de repente, uma queda brusca. Para chegar às finais, precisa ser muito mais regular", disse Levir Culpi, que viu como um dos problemas da equipe o aspecto psicológico, que fez os atletas discutirem muito com os adversários durante o jogo.

 

"A responsabilidade é minha. Sou eu quem tenho que controlá-los neste sentido. Mas eu também falei com o árbitro. Então, não posso cobrar esta questão dos atletas. E mais para frente, os jogos vão ficar mais rápidos e agressivos, e precisamos ter controle. Vamos treinando isso. Reclamamos quando não precisávamos e quando precisávamos", afirmou.

 

Além de ressaltar os pontos que precisam ser corrigidos, Levir Culpi também destacou o que viu de bom no time. "Não costumo eleger um melhor jogador da partida. Na primeira reunião, enfatizei que ninguém é importante se não tiver um grupo. Claro que sou torcedor também e gostei de alguns jogadores. Mas prefiro falar do conjunto, que foi bem em alguns momentos e mal em outros", concluiu.

 

Fonte: ESPN                  /Foto: Arquivo

 

No primeiro tempo contra o Democrata-GV, o Cruzeiro apresentou um desempenho muito fraco, mas na etapa final melhorou, conseguiu virar o jogo e somar os três primeiros pontos no Campeonato Mineiro.

 

O técnico Marcelo Oliveira reconheceu as dificuldades da equipe celeste, porém, destacou a mudança de postura nos 45 minutos finais do confronto.

"A intenção é vencer sempre. Às vezes encontramos algumas dificuldades neste início de campeonato, como jogar fora de casa, em campo ruim, contra uma equipe que conhece bem o seu estádio. O gol deles não estava no nosso plano. No intervalo nós corrigimos algumas situações e, no segundo tempo, tivemos as melhores oportunidades. É preciso ter confiança diante das adversidades, e a nossa equipe teve. Acreditamos que era possível vencer e conseguimos uma grande vitória fora de casa", declarou.

 

O jogo realizado em Governador Valadares contou com a presença de revelações da base celeste, como Eurico e Judivan, que iniciaram a partida entre os titulares. O técnico da Raposa valorizou essa oportunidade de escalar os jovens e poder ambientá-los à equipe profissional. Outro fator ressaltado por Marcelo foi o preparo físico do time, tendo em vista que os gols da virada aconteceram depois da metade da etapa complementar da partida.

"Estamos satisfeitos porque conseguimos colocar alguns jogadores jovens em campo. Eles precisam disso para irem se ambientando e se entrosando aqui no profissional. Foi uma boa vitória, e fico satisfeito com a reação do time, que estava perdendo, na casa do adversário, mas foi para cima no segundo tempo e fez um jogo melhor. Isso também indica que não teve problema de preparo físico, já que nossa equipe foi melhor na segunda etapa", concluiu.

 

 

 

Fonte: ESPN 

O Palmeiras terminou a temporada do seu centenário sem ter conquistado uma vitória no reformado Palestra Itália. Atento à situação, Oswaldo de Oliveira, novo técnico da equipe, espera fazer o elenco se ambientar rapidamente à arena em 2015.

"Dois jogos são muito pouco. O estádio era neutro porque nem a equipe do Palmeiras estava acostumada a jogar ali. Esse amadurecimento vai acontecer com a sequência de jogos. Fatalmente, o estádio acabará nos beneficiando", comentou Oswaldo.

 

Em 2014, o Palmeiras reinaugurou a sua casa com uma derrota por 2 a 0 para o Sport. Na última rodada do Campeonato Brasileiro, só empatou por 1 a 1 com o Atlético-PR e, mesmo assim, garantiu a permanência na primeira divisão.

 

Para Oswaldo, apenas a sequência de jogos como mandante no Campeonato Paulista fará o Palestra Itália se tornar novamente uma arma palmeirense contra os adversários.

 

"É fundamental jogar em casa. Não só pela interferência da torcida, mas para o time de ambientar com o gramado e com tudo o mais. Quando você se familiariza, adquire confiança. Isso acaba se transformando em favoritismo", concluiu Oswaldo de Oliveira.

 

 

 

Fonte: ESPN

Afastado desde setembro de 2014, o goleiro Felipe não se reapresentou ao Flamengo nesta segunda-feira, no Ninho do Urubu.

Com contrato válido até o fim de 2015, ele negocia a rescisão do acordo e vai se reapresentar apenas na quinta-feira, dia 8 de janeiro. Com isso, ele fica fora da pré-temporada do clube em Atibaia, no interior de São Paulo. Chateado, o agora ex-camisa 1 cobrou também os atrasos de direitos de imagem.

"Vou me apresentar dia 8 de janeiro, às 10h, conforme orientação que foi passada pelo Flamengo. Desde 2003 será a primeira vez que não participarei de uma pré-temporada. É uma situação chata, mas tenho que aceitar esse posicionamento do clube. Estou triste, mas isso faz parte do futebol. Queria que eles também se posicionassem sobre o que me devem. Sei que não é fácil de se resolver, mas não vou abrir mão do que é meu por direito", disse o goleiro via assessoria de imprensa.

 

A dívida com o jogador chega a pouco mais de R$ 1 milhão. Felipe chegou ao Flamengo em janeiro de 2011, após indicação do técnico Vanderlei Luxemburgo. Na ocasião, ele assinou um contrato de risco, mas com as boas atuações o vínculo foi estendido até o fim de 2015. Titular na maior parte do tempo, o goleiro caiu em desgraça com a diretoria e comissão técnica após faltar um treino em 2014. Diante disso foi afastado e não retornou mais ao time.

 

"Agradeço ao Flamengo por ter jogado 188 jogos e conquistado três títulos pelo meu clube de coração. Agora vou seguir meu caminho sem abaixar a cabeça por nada. Como eles decidiram a parte esportiva, estou no aguardo também da solução da parte financeira. Estou indo para o décimo mês sem receber os direitos de imagem e tenho mais 13 meses de contrato e férias", completou o jogador.

 

 

 

Fonte: ESPN

 

 

O jogador do time catalão exaltou a qualidade do elenco e se mostrou confiante na busca por títulos.

Andrés Iniesta, meia do Barcelona, não se mostrou preocupado com a punição recebida pelo clube. O Barça está proibido de participar das duas próximas janelas de transferências, por conta de uma sanção da Fifa.

O time catalão foi punido por transferências irregulares de jogadores menores de 18 anos.

"Não está nem passando pelas nossas cabeças a ideia de não ganhar nada nesta temporada", disse Iniesta.

"O elenco tem qualidade suficiente para ganhar troféus, e o importante é acreditarmos na gente e que nós podemos melhorar", completou.

Fonte: Goal

Foram seis anos de mandato. Dois títulos estaduais. Uma vaga na Libertadores. Ele contratou Seedorf. Revelou Dória, Gabriel e Vitinho. Tornou o Engenhão um estádio lucrativo. Como é possível que, ao deixar a cadeira de presidente do Botafogo, o dentista Maurício Assumpção saia tão rejeitado? Que ele sequer tenha tido coragem de, na reta final de seu mandato, assistir aos jogos do time no estádio? Que esteja sendo considerado o pior presidente da história por alguns torcedores?

       CAPÍTULO I

Dossiê Botafogo Mauricio Assumpção  (Foto: Editoria de Arte)Dossiê Botafogo

 

       CAPÍTULO II

Dossiê Botafogo Seedorf  PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 16/12

 

      CAPÍTULO III

Dossiê Botafogo Libertadores PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 17/12

 

      CAPÍTULO IV

Dossiê Botafogo Gabriel  PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 18/12

 

 

A resposta está numa série de erros cometidos já em seu primeiro mandato – que se agravaram no segundo e explodiram em 2014. Mesmo pagando mais de R$ 100 milhões em dívidas de presidentes anteriores, Assumpção se perdeu. A tentativa de conquistar um título nacional e  cumprir as promessas de campanha – contratar um jogador de "fechar aeroporto" e construir CTs para a base e para o profissional – fez com que o Botafogo gastasse muito mais do que arrecadava. Assumpção deixou de pagar encargos salariais e recolher impostos. Perdeu a confiança da Receita Federal e do Tribunal Regional do Trabalho. Por fim, terminou sua gestão de forma clandestina, sem confiança nem de seus departamentos jurídico e financeiro.

A contratação de Seedorf, em julho de 2012, foi um marco em todos os sentidos. A torcida adorou, a mídia elogiou, mas nos bastidores ela sinalizava uma aposta. Como um clube que não pagava encargos e driblava dívidas podia fazer a maior contratação do futebol brasileiro? Assumpção apostava no Proforte, que não veio. Vieram as penhoras e o estrangulamento do clube agravado pelo descontrole financeiro na gestão do futebol. 

O GloboEsporte.com ouviu jogadores, dirigentes, empresários, treinadores e profissionais que passaram pelo clube nos últimos anos para entender a destruição alvinegra. E explicar como o clube que começou 2014 na Taça Libertadores chegou a dezembro rebaixado, com oito meses de salários atrasados e uma dívida que ultrapassa R$ 700 milhões.

1 – A primeira gestão

O clube que Maurício Assumpção recebeu em 2009 vivia sérios problemas. O elenco profissional tinha poucos jogadores sob contrato. A base, apesar do esforço de alguns profissionais, não tinha apoio algum. Ele assumiu como candidato único, mas rapidamente brigou com seus dois principais pilares políticos: o Movimento Carlito Rocha e o grupo que viria a se tornar o "Mais Botafogo".

Os primeiros se sentiram traídos na eleição, quando Maurício trocou a vice-presidência jurídica. O "Mais Botafogo" abandonou a gestão ainda no início, numa renúncia coletiva de vice-presidentes. A gestão se baseou num tripé de profissionais: Sérgio Landau (diretor executivo), Renato Blaute (diretor financeiro) e Anderson Barros (gerente de futebol profissional).

Os dois últimos responderiam aos vice-presidentes Cláudio Good (financeiro) e André Silva (futebol). Good saiu ainda em 2009, e o vice-geral Antonio Carlos Mantuano acumulou o cargo até que, em 2010, Marcelo Murad assumisse. Em 2011, Blaute brigou com Landau, e Murad deixou de ser vice financeiro para assumir como diretor. Mantuano ficaria como vice geral até 2012, quando brigaria com Maurício e passaria a ser oposição.

Dossiê Botafogo - mauricio Assumpção (Foto: André Durão)Mauricio Assumpção comemora eleição à presidência do Botafogo em 2008 (Foto: André Durão)

 

2 – Divisão entre base e profissional

As divisões de base seriam a joia da coroa da gestão Assumpção. Ao contrário de Bebeto de Freitas, que não ia a Marechal Hermes, o novo presidente frequentava jogos, dava palpites e até preleções. Sempre apoiado em seus dois homens de confiança: Bernardo Arantes e Sidnei Loureiro.

Bernardo, que antes trabalhava com o agente FIFA Pedro Cabral, ficou responsável por contratos e contatos. Sidnei chegou como coordenador técnico, ganhando R$ 28 mil. Acima dele havia o diretor Marcelo Calumby, o gerente Humberto Redes e seu auxiliar, Coronel Ronaldo. Em três meses, Redes e Ronaldo foram ejetados.

– Nós chegamos com muito gás, e eles não estavam no mesmo pique – disse Sidnei Loureiro, anos depois.

Ainda em 2009, Calumby resolveu ir embora quando contestou uma viagem da base para a Holanda, bancada por empresários em troca de percentual de jogadores. A viagem havia sido autorizada por Maurício. Calumby percebeu que não mandava nada e saiu, deixando a base sem diretor.

Maurício Assumpção e Sidnei Loureiro Botafogo (Foto: Thales soares)Coordenador técnico, Sidnei Loureiro conversa com Mauricio Assumpção (Foto: GloboEsporte.com)

 

3 – Prospecção

Bernardo Arantes começou a fazer trabalhos de prospecção de contratos de base em litígio. Com isso, trouxe Daniel (do Cruzeiro) e Dankler (do Vitória). Graças às parcerias, o Botafogo pegou vários bons jogadores. Gabriel veio do Paulínia-SP, e Vitinho, do Audax. Em virtude dos contatos de Anderson, Jádson e Gilberto chegaram via MFD quando o CFZ foi desativado. E Caio estava no Volta Redonda.

O lado ruim: o percentual do clube em boa parte dos jogadores da base era em média de 50%. Dória, revelado no clube, tinha 40% de seus direitos vinculados ao Niterói Futebol Clube, de seu empresário Jolden Vergette. Caio, por conta de dívidas com seu empresário Reinaldo Pitta, tinha apenas 8% dos direitos vinculados ao clube.

Com investimento, a base do Botafogo melhorou tecnicamente. O time foi campeão de juniores em 2011 usando vários jogadores que tinham ficado da gestão anterior, como Cidinho, Renan Lemos e Lucas Zen. E ganhou novamente o título em 2014.

Dossiê Botafogo - Caio (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)Oriundo do Volta Redonda, Caio era apenas 8% do Botafogo (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

 

4 – Campanhas irregulares

Em 2009, o Botafogo construiu um time às pressas, trazendo Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões para uma estrutura ainda precária. A gestão Assumpção encontrou um elenco destroçado, com apenas quatro jogadores com contrato profissional. Com um time muito limitado sob comando de Ney Franco, o Botafogo ganhou a Taça Guanabara e foi à final do estadual. Perdeu para o Flamengo nos pênaltis, depois que Maicosuel e Reinaldo se lesionaram no primeiro jogo da decisão. No Brasileirão, brigou no sufoco para se salvar do rebaixamento na última rodada, e duas contratações tiveram papel fundamental: o goleiro Jefferson e o atacante Jobson.

Veio 2010, e o clube trouxe dois atacantes estrangeiros: o argentino Herrera e o uruguaio Loco Abreu. Loco estreou contra o Vasco, no Engenhão, onde o Alvinegro acabou goleado por 6 a 0. O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e o ex-vice de futebol Ricardo Rotemberg (que tinha contratado Zárate e Castillo) abriram fogo contra Anderson Barros e Maurício Assumpção pela primeira vez, reclamando que Dodô era ídolo alvinegro e tinha feito três gols pelo Vasco. E detonando o camisa 13.

– O Loco Abreu ganha o dobro que o Dodô. O time não teve vergonha. Estamos entregues – bateu Montenegro.

Dois meses depois, o Botafogo ganhou a Taça Guanabara em cima do mesmo Vasco, com um gol de Loco. E depois faturou o estadual em cima do Flamengo com a célebre cavadinha do camisa 13. O uruguaio virou um ídolo muito acima de Dodô, que deixou o Vasco para jogar em times de menor prestígio.

Dossiê Botafogo - Loco Abreu e Zagallo (Foto: Alexandre Durão)Ao lado de Zagallo, Loco Abreu é apresentado no Botafogo, em General Severiano (Foto: Alexandre Durão)

 

5 – Marketing a mil

Fora de campo, o Botafogo desenvolvia várias ações de marketing. O diretor Marcelo Guimarães lançava camisas alusivas a craques do passado, fazia homenagens e eventos que chamavam a atenção de outro clubes. Não era uma gestão voltada para arrecadar, mas sim para divulgar a marca do clube. Guimarães contratou o irmão de Maurício Assumpção, Marcelo, para ser repórter da "Botafogo Experience" e do programa Incêndio, que o clube publicava em seu canal no You Tube. No Facebook, os dois trocavam elogios.

marcelo (Foto: facebook)Marcelo Guimarães ao lado do ex-zagueiro Gonçalves. Elogios do irmão de Mauricio Assumpção (Foto: Facebook)

 

6 – A queda de André

Em 2010, o Botafogo de Joel Santana ia bem no Brasileiro até perder quatro jogadores por lesão  (Fábio Ferreira, Marcelo Mattos, Maicosuel e Herrera). Acabou vendo a vaga na Libertadores virar fumaça na última rodada, com uma derrota para o Grêmio no Olímpico. No ano seguinte, o time treinado por Caio Junior sofreu um apagão quando ameaçava entrar na briga pelo título.

As performances reacenderam a fogueira sob o departamento de futebol. Os conselheiros culpavam a "falta de cobrança" do time. Assumpção resolveu limar seu vice de futebol, André Silva, conhecido pela gentileza com que tratava jogadores e funcionários. Anderson Barros ficou sozinho no futebol, no papel de gerente, diretor e arrecadador de recursos. No fim do ano, ele contratou Oswaldo de Oliveira para ser o treinador em 2012.

vice-presidente de futebol Andre Silva - Botafogo (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)André Silva, vice de futebol demitido após mais um insucesso do time (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

 

7 – Seedorf chega, Loco sai

O Botafogo perdeu a decisão do estadual para o Fluminense e começou instável o Brasileirão. Herrera saiu na janela do meio do ano e não teve reposição. Lucas, lateral-direito promissor, foi expulso na final do Carioca e na partida de volta contra o Vitória pela Copa do Brasil, contribuindo para as duas derrotas. As críticas cresceram fora de campo – Oswaldo havia barrado Loco Abreu –, e os salários atrasavam.

Em julho, chegou Seedorf, que causou um cataclisma no grupo. O holandês não admitia certas práticas e opinava em tudo, da logística até a nutrição dos atletas. Quis mudar até o hino do clube. Viu os cartazes de atletas antigos no Engenhão e falou.

– Tem que botar os atletas do presente. Cadê o Jefferson, por exemplo?

Dossiê Botafogo - Seedorf (Foto: Fernando Soutello / Agif)Seedorf, a "contratação de fechar o aeroporto" de Mauricio Assumpção (Foto: Fernando Soutello / Agif)

 

8 – Anderson Barros na berlinda

O time sentiu as mudanças. O elenco se dividiu com a presença imperial de Seedorf. Oswaldo soube aos poucos contornar as tensões, mas em campo era necessário reconstruir. O treinador ainda tentava encaixar Fellype Gabriel e o uruguaio Lodeiro em seu esquema, e tinha indicado Rafael Marques, que vira jogar no Japão, para o ataque.

O nome do atacante foi aprovado pelo Comitê de Futebol, mas a operação era muito cara – cerca de R$ 290 mil mensais – e pôs Anderson Barros na berlinda de vez. Com o time fora da briga pela Libertadores, as críticas explodiram. Os homens próximos de Assumpção diziam que faltava cobrança no profissional.

– Eles batiam nisso, mas não era verdade. Havia cobrança e um ambiente positivo, só que ninguém que era de fora via – diz um ex-funcionário do clube.

Muito próximo de Assumpção, Sidnei Loureiro batia com firmeza. Dizia que na base tudo funcionava e atacava também nas escolhas de reforços. Rafael Marques era o principal alvo. O gerente da base comentava nos bastidores que o atacante era "a pior contratação do Botafogo em todos os tempos." A tese encontrava eco na imprensa, na torcida – que vaiava Rafael – e nos cardeais. Assim como fizera criticando a contratação de Loco Abreu, Montenegro abriu fogo contra o gerente.

– Rafael Marques tem o mesmo número de gols de um zagueiro: zero. O Anderson Barros é remunerado para errar desse jeito?

Rafael Marques, Botafogo, Apresentação (Foto: Marcos Tristão / Agência o Globo)Rafael Marques, em sua apresentação. Atacante foi motivo de discórdias (Foto: Marcos Tristão / Agência o Globo)

 

9 - O custo Seedorf

A fritura de Anderson foi um pouco ofuscada pela chegada de Clarence Seedorf, a "contratação de fechar aeroporto" com a qual Assumpção sempre sonhou. O holandês desembarcou no Galeão diante de uma torcida extasiada. Nos bastidores, porém, havia preocupação. O Botafogo tinha um Comitê de Futebol que discutia as contratações. Dele participavam o gestor do futebol, Anderson Barros; o diretor-executivo do clube, Sérgio Landau; o vice-presidente financeiro, Marcelo Murad; o vice de futebol, André Silva; o vice-geral, Paulo Mendes; e ocasionalmente outros dirigentes. O presidente Maurício Assumpção não era membro "para não influenciar o trabalho do comitê".

Desde 2010, Assumpção sonhava com o craque. Os números, porém, não batiam. Em junho de 2012, uma reunião do comitê bateu o martelo: o clube não teria como pagar a Operação Seedorf. Numa votação houve unanimidade: todos os membros foram contra a contratação. No dia seguinte, Landau solicitou novo encontro e levou a mensagem de que "o presidente entendia a contratação como importantíssima para resgatar a autoestima da torcida". Assumpção pedia que o comitê reconsiderasse a decisão e afirmava também que "ele, Maurício, seria responsável por levantar recursos para pagamento dos altos salários do holandês".

– Então para que servia o comitê? Maurício decidiu sozinho – disse um dirigente que fez parte das reuniões.

Seedorf chegou em julho de 2012 e ficou no Botafogo até janeiro de 2014. No total, foram 17 meses ao custo de R$ 18 milhões – mais de R$ 1 milhão por mês. O clube teve ganhos de imagem e de receita, como o aumento do sócio-torcedor de oito mil para 18 mil pessoas (depois caiu novamente), mas a despesa foi bem maior que a entrada de recursos. Já na chegada houve custo por conta da recepção com direito a helicóptero e hospedagem no Hotel Fasano. E o Botafogo não conseguiu tirar proveito financeiro de Seedorf. O clube sequer fechou um contrato para explorar sua imagem e alguns negócios trazidos pelo holandês não prosperaram.

Dossiê Botafogo - Seedorf e mauricio Assumpção (Foto: Fernando Soutello / Agif)Seedorf e Mauricio Assumpção: chegada do craque holandês foi luxuosa (Foto: Fernando Soutello / Agif)

 

10 – A pedra fundamental

As melhorias na base viraram o cartão de visitas de Maurício Assumpção. Com parcerias e investimentos em pessoal, o time melhorou sua performance e a captação de atletas. A estrutura, porém, continuava muito ruim. O sonhado Centro de Treinamento era uma promessa de campanha de Maurício. Em agosto de 2012, o presidente resolveu lançá-lo e promoveu um evento em Marechal Hermes ao lado de toda sua diretoria para lançar a pedra fundamental do CT, com direito a uma bela maquete.

Um mês depois, em setembro de 2012, Sidnei Loureiro esteve na UFRJ, onde deu palestra sobre a "revolução na base alvinegra". Com uma apresentação em Power Point, falou do futuro brilhante, das revelações e apresentou o plano do futuro CT de Marechal Hermes com diversos diagramas. Havia um problema, no entanto: a maquete e os diagramas não cabiam no terreno do clube. O projeto na maquete previa 55 mil metros quadrados e avançava sobre um terreno do Exército. Em reportagem de Vicente Seda, o GloboEsporte.com mostrou que o terreno do clube era consideravelmente menor: 19,5 mil metros quadrados.

Marechal Hermes Botafogo (Foto: Divulgação)Projeto do CT para as categorias de base em General Severiano (Foto: Divulgação)

 

Perguntado sobre por que mostrara um projeto maior do que o terreno, Loureiro disse que seriam campos menores apenas para treino e que esperava a cessão do resto do terreno pelo Exército. Assumpção, por sua vez, prometeu no lançamento que o CT estaria pronto até o fim de 2013. O clube resolveu demolir mesmo sem ter um projeto aprovado ou com recursos viabilizados. O presidente acreditava que, uma vez demolido, convenceria investidores a pagar a construção. Mas sua credibilidade já estava em queda. Resultado: o Botafogo derrubou o pouco que tinha e nada construiu. Hoje, Marechal Hermes encontra-se com obras inacabadas e sem uso.

General Severiano_Marechal Hermes Botafogo (Foto: Diego Rodrigues)Vestiário em Marechal Hermes: obras começaram, mas foram interrompidas (Foto: GloboEsporte.com)

 

11 – A última cartada

As pancadas de Carlos Augusto Montenegro surtiram efeito. O desgaste de Anderson Barros com a torcida era grande. Os torcedores reclamavam que o time ficava no quase, e o gerente de futebol era apontado como o responsável pelos constantes fracassos do time em competições nacionais. Não havia mais André Silva como escudo, e Sidnei Loureiro tinha a confiança plena do presidente. A cama estava feita para a mudança. Em setembro de 2012,  Anderson encontrou no Engenhão faixas de uma torcida organizada pedindo a sua saída e a de Oswaldo.

– Ele sabia que aquilo não era por acaso, que alguém tinha deixado isso chegar ali – disse um assessor.

Anderson tinha conhecimento de que sua situação não era fácil, só que ele ainda contava com alguma simpatia de Assumpção. O presidente sabia que o gerente de futebol não apenas tinha estruturado o departamento, mas que também buscava recursos para pagar salários criando cestas de atletas ou até conseguindo empréstimos com seus contatos no mercado. Mas mesmo isso era alvo das críticas internas, com toda sorte de suspeitas sendo levantadas para alvejá-lo. Os fracassos consecutivos na Copa do Brasil não ajudavam. Com o Brasileiro de 2012 indo para o espaço, entre agosto e setembro Anderson engendrou uma última cartada. Convidou Loureiro para ser seu auxiliar no profissional. E avisou a Assumpção.

– Presidente, ele ainda não está pronto. Precisa ser preparado.

Sidnei, porém, tinha pressa. Não queria ser apenas mais um. Chegou no profissional sem meias palavras e fazendo exigências.

– Ele chegou tocando o terror na comissão técnica – disse um ex-funcionário do clube.

  Sergio Landau, diretor executivo, Anderson Barros, gerente de futebol, e Chico Fonseca, vice de futebol (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)Anderson Barros entre o diretor executivo Sérgio Landau (esq) e o vice de futebol Chico Fonseca (Foto: Globoesporte.com)

 

Anderson tentou administrar, mas ficou revoltado ao descobrir que Sidnei tinha levado ao presidente, sem passar por ele, uma apresentação feita pelo preparador de goleiros da base, Christiano Fonseca, que dizia que "Jefferson não sabia sair do gol". Era uma crítica clara ao trabalho do preparador Flavio Tenius.

– O Flavio Tenius tem duas Libertadores. Quem é Christiano Fonseca pra falar alguma coisa? – perguntou um membro da comissão.

Sidnei ficou sem clima no profissional. Voltou para a base alegando que iria tocar o projeto dos mil gols de Túlio, mas na verdade já começava a planejar como o futebol ficaria em 2013.

– Os dois erraram. Sidnei chegou querendo mandar, o Anderson não soube compor, e o Maurício se omitiu em vez de aparar as arestas – diz um ex-membro da comissão técnica.

Em novembro, Chico Fonseca – empossado como novo vice-presidente de futebol – avisou a Anderson que ele não ficaria em 2013.

12 – Túlio 1.000

Ainda em 2012, o Botafogo criou um projeto de marketing para tentar faturar com os 1.000 gols de Túlio. Relevando a contabilidade criativa do atacante, o clube tentou marcar uma série de amistosos para que o veterano jogador fizesse sete gols e chegasse ao almejado sonho. A ideia era que o milésimo pudesse ocorrer num jogo do profissional inclusive – algo que Oswaldo de Oliveira não cogitava de modo algum.

O projeto fracassou de forma retumbante, em meio à discórdia entre o então diretor de marketing Marcelo Guimarães e o presidente Maurício Assumpção. Resultado: Túlio foi fazer o milésimo por outro clube e entrou na Justiça contra o clube alegando vínculo empregatício e pedindo reparação por danos morais. Já ganhou em primeira instância.

Dossiê Botafogo - Tulio Maravilha (Foto: André Durão)Tulio Maravilha na apresentação do seu projeto dos 1.00 gols (Foto: André Durão)

 

13 – Fim da era AB

A briga com Sidnei Loureiro tinha selado o destino de Anderson Barros. Ele deixou o Botafogo em dezembro de 2012, acertando antes as vendas de Elkeson e Maicosuel. Não se despediu nem recebeu nenhuma palavra do presidente Maurício Assumpção. Criticado pelas campanhas de 2011 e 2012 e pela contratação de Rafael Marques, Barros pagou a conta de campanhas que geravam expectativas, mas não conquistas nacionais. E de erros como John Lennon, Jean Coral e Vinícius Colombiano.

A torcida esquecia, porém, de seus acertos: Jefferson, Jobson, Loco Abreu, Antonio Carlos, Herrera, Elkeson, Maicosuel, Andrezinho, Lucas, Marcelo Mattos, Renato, Fellype Gabriel, Lodeiro, entre outros. Não via que ele havia estruturado o departamento de futebol profissional e tinha a confiança dos atletas e de agentes do mercado. Com o 12º orçamento entre os clubes da Série A e atolado em dívidas, o Botafogo tinha montado bons times. E feito bons negócios, como as vendas de Cortês para o São Paulo (R$ 6 milhões – foi comprado um ano antes por R$ 1 milhão), Elkeson (6,5 milhões de euros para a China), Renato Cajá (1 milhão de euros também para a China) e Márcio Azevedo (2,5 milhões de euros para a Rússia). 

Depois de sua saída, o clube vendeu apenas jogadores feitos em casa: as revelações Jádson, Vitinho e Dória. A última contratação de Anderson Barros antes de deixar o clube foi o zagueiro André Bahia.

anderson barros fabio ferreira seedorf botafogo treino (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)Anderson Barros conversa Seedorf. Holandês foi contrário à saída do dirigente (Foto: Globoesporte.com)

 

14 – A bronca de Chico

Em novembro de 2012, Chico Fonseca, futuro vice de futebol, informou a Anderson Barros sua saída no fim do ano. Uma comissão de atletas, Seedorf à frente, tentou conversar com Maurício Assumpção pedindo a permanência de Barros. Chico Fonseca ficou irritado. Sem experiência com jogadores profissionais, ele resolveu ir para cima. Em dezembro de 2012, após um treino, ele reuniu os atletas na sala de imprensa do Engenhão, na frente de toda a comissão técnica. E falou grosso. Disse que Anderson estava indo embora, que era só um funcionário e que eles, jogadores, também eram funcionários e deviam cumprir ordens. Começou manso, mas acabou subindo o tom. Foi interrompido por Seedorf.

– Abaixa a voz. Não estou gostando do seu tom. Se você falou, também vai ouvir.

Uma pequena discussão se seguiu. Irritado, Chico simplesmente abandonou a reunião. Temendo um impacto negativo no grupo, ele telefonou para Anderson Barros, que já tinha deixado o estádio.

– Fiz merda. Dá para você corrigir?

chico fonseca bolivar botafogo apresentação (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)Chico Fonseca junto a Bolívar. Dirigente perdeu comando logo na chegada (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)

 

Anderson voltou ao estádio, reuniu os atletas e contemporizou.  E Seedorf ganhou pontos com os outros jogadores.

A segunda-feira teve em destaque três nomes considerados medalhões no mercado de treinadores. No início do dia, Oswaldo de Oliveira, que já havia treinado Corinthians, São Paulo e Santos, foi anunciado como novo comandante do Palmeiras. Nas últimas horas, foi a vez de o rival definir seu "novo velho" técnico. A "novela Tite" terminou com final feliz para o Timão.

O Internacional, outro interessado no gaúcho, teve uma definição: Abel Braga, segundo revelação do próprio, não fica no Beira Rio em 2015.

 Jogador inserido no mercado nacional que mais atraiu atenção da imprensa internacional após a conquista do bicampeonato brasileiro pelo Cruzeiro, o volante Lucas Silva teve seu sonho de defender o Real Madrid adiado novamente. A Raposa rejeitou a segunda proposta merengue pelo jovem. Também garoto e colega de posição de Lucas, Gabriel, um dos desejos celestes para 2015, tem caminho livre para assinar com o campeão. Desligou-se do Botafogo nesta terça-feira após recorrer à Justiça.

Notícias referentes a volantes nesta segunda-feira, não apenas em relação aos que interessam ao Cruzeiro, foram abundantes. Amaral, ex-Goiás, foi confirmado no Palmeiras. O Verdão, aliás, busca outro atleta no Esmeraldino para o setor. Trata-se de Thiago Mendes, mas há a concorrência do rival e vizinho São Paulo, com quem disputou recentemente Kardec e Wesley. Ainda no meio-campo, o ex-flamenguista Renato Abreu, após um ano sem clube, pode voltar aos gramados em 2015 com a camisa do Macaé.

 

O Flamengo, um dos grandes que menos se mexeu até então no mercado, teve dia de atualizações sobre alvos. Rodrigo Caetano confirmou interesse em Dudu, ex-Grêmio, enquanto o agente do paraguaio Lucas Barrios disse que o Rubro-Negro só não contará com os serviços de seu cliente caso uma proposta europeia apareça.

Vanderlei Luxemburgo avisara durante a semana que não teria vergonha de jogar feio para levar o Flamengo à vitória sobre o Sport, no Maracanã. Não teve mesmo, e deu certo, graças à cabeçada de Eduardo da Silva aos 39 minutos do segundo tempo, que selou a vitória por 1 a 0.

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